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Memoria descritiva auto-biográfica

Alberto Cidrães

Em 1970 terminei a parte escolar dos seis anos do curso de Arquitetura da Escola Superior de Belas Artes de Lisboa. A escolha de Arquitetura como carreira havia sido um compromisso com meu pai que relutava em me autorizar a seguir carreira nas artes visuais. Mas revelou-se uma boa escolha.
Escola moldada no modelo napoleónico, considerando as "artes maiores" como 3, Pintura, Escultura e Arquitetura, mas informada pelo modernismo europeu, que nela convivia com o academicismo mais classicista, era sediada num convento que dividia com a Biblioteca Nacional, num ambiente inconformista de final de Salazarismo.

Em Setembro do mesmo ano parti para o Japão com uma bolsa de estudo de pós-graduação outorgada pelo governo daquele país. A bolsa tinha dupla função: continuação da formação académica e humana por um lado e por outro possibilitar meu afastamento de Portugal e da expectativa de servir o exército na guerra das colónias africanas contra a qual visceralmente me colocava.
Tendo escolhido como tema de pesquisa "A pre-fabricação na construção Japonesa" acabei dando uma volta de 180 graus mudando o tema para "A habitação tradicional Japonesa" um volte-face não tão disparatado, ou radical, se considerarmos que a pre-fabricação é uma característica e um processo de construção pioneiro na arquitetura de origem Zen, com o tatami e as portas de correr como elementos móveis principais na casca envolvente, apoiados no esqueleto de madeira.
 

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